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Antimicrobianos

Antimicrobiano

 

Antimicrobiano por um uso mais racional

Desde a década de 40, vêm-se utilizando antimicrobianos, especialmente antibóticos, para o tratamento de infecções, o que, sem a menor dúvida, reduziu a morbimortalidade das doenças infecciosas passíveis de tratamento. O ato de prescrever antimicrobianos, especialmente os mais novos e potentes, tornou-se um hábito comum para todos, mesmo sendo tão recomendado o uso racional destas drogas. É importante se estar atento que na hora de se indicar um antimicrobiano é forte o apelo de novas medicações.

Cerca de 25% a 35% dos pacientes hospitalizados fazem uso de antibióticos em algum momento de suas internações, o que corresponde a um terço dos custos hospitalares com os medicamentos. Cada vez mais o uso de drogas antimicrobianas leva ao surgimento de bactérias multirresistentes responsáveis por infecções graves e até mesmo superinfecções.

É freqüente se observar o uso de antimicrobianos em doses ou intervalos inadequados; antibioticoprofilaxia cirúrgica com tempo prolongado (antes ou após a cirurgia); via de administração incorreta; associações de drogas antagônicas; uso de medicamentos de amplo espectro e a desconsideração de exames microbiológicos e ou a não realização destes (início de tratamentos empíricos – não baseados em antibiogramas). Um sexto dos pacientes hospitalizados desenvolvem complicações causadas pelo uso de antimicrobianos, quando estes são prescritos indiscriminadamente e sem uma monitorização periódica da concentração sérica da droga seguida dos ajustes necessários.

Todos os antimicrobianos, mesmo em doses terapêuticas, produzem nos pacientes alterações na microbiota da pele, trato respiratório superior, trato gastrointestinal e trato genital. Na maioria das vezes, essas alterações são transitórias e, após a suspensão do medicamento, a microbiota endógena se restabelece gradativamente, com a persistência de microorganismos selecionados em níveis populacionais residuais incapazes de causar conseqüências graves para um imunocompetente. O que não ocorre com o imunodeprimido, uma vez que qualquer alteração da microbiota endógena pode desencadear um supercrescimento de determinada espécie bacteriana, a translocação ou invasão tecidual direta, resultando em infecções oportunistas.

É importante lembrar que microorganismos resistentes são progressivamente selecionados e se multiplicam livremente, substituindo aqueles eliminados durante a antibioticoterapia. Em pacientes que têm longa permanência hospitalar ou que foram submetidos a múltiplos tratamentos antimicrobianos, é grande a possibilidade de colonização por bactérias hospitalares, já previamente selecionadas e com reduzida sensibilidade aos antibióticos. Nesse sentido é importante que cada instituição de saúde estabeleça um protocolo para o uso de antimicrobianos, segundo a microbiota existente e seus perfis de sensibilidade.

Referências bibliográficas

  • Costa, IC; Hinrichsen, S.L et al.
    Prevalência e custos de processos infecciosos em Unidade de Terapia Intensiva.
    RAS - vol. 5, Nº20 – Jul-Set,2003:7-16.

 

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